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Epístolas Deteuropaulinas outubro 22, 2009

Posted by mauricioteologia in Uncategorized.
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São as cartas as maiores e melhores fontes de informações sobre Paulo. Sua importância não se reduz ao conjunto de sua vida, viagens e comunidades; trazem o valor indubitável de ter sido o primeiro documento escrito do Novo Testamento que, reconhecidamente, começa com Paulo. Quando morre o apóstolo, em torno de 68 (se não levarmos em consideração outras viagens depois da prisão em Roma, no fim de sua quarta viagem documentada), está nascendo o primeiro evangelho, de autoria de Marcos. Todos os livros sobre o Novo Testamento vieram depois dos escritos de Paulo. As intenções de datar as cartas se depararam com a falta de informação precisa por um lado e, por outro lado, o desencontro entre os documentos; portanto, são hipóteses e épocas mais prováveis. Apesar de termos relacionado as cartas em item anterior, é importante repeti-las para que façam parte de tópico próprio. A “teologia paulina” é composta por 14 cartas também chamadas de epístolas e conhecidas como “Corpus Paulinum” . Dessas 14, sete são consideradas autênticas e as outras apresentam dúvidas quanto a autoria de Paulo apesar de mostrarem elementos paulinos e são chamadas deuteropaulinas. As autênticas são: – 1 Tessalonicences, – Gálatas, – 1 Coríntios, – 2 Coríntios, – Romanos, – Filipenses (carta do cativeiro), – Filêmon. As deuteropaulinas são: – Efésios, – Colossenses, – 2 Tessalonissenses, – 1 Timóteo, – 2 Timóteo, – Tito, – Hebreus, anônima, mas tradicionalmente atribuída a Paulo por alguns e por outros  é descartada esta possibilidade. Quanto ao fato de certas cartas não serem consideradas como de autoria de Paulo, as chamadas deuteropaulinas,  entendo serem pertinentes: 1) Não importa o fato de tal ou qual texto ter sua origem no punho do autor a que se atribui o texto. Pode ser que alguém tenha feito a redação daquilo que ouviu do autor mencionado no texto. Essa seria a autoria indireta. 2) O que a Bíblia registra é tudo aquilo que Deus quis que chegasse até nós, não importa a maneira como isso aconteceu. Independente das dificuldades, pode ser importante datarmos as cartas para podermos verificar a evolução do pensamento do apóstolo o qual pode ser notada estudando-se da primeira para a última. A ordem em que aparecem no Novo Testamento nada tem a ver com a ordem cronológica em que foram escritas; o critério é do tamanho indo-se da maior (Romanos) à menor (Hebreus, se for de Paulo) ou Filemon. Por que as cartas se tornaram mais longas? Provavelmente por que os problemas das comunidades aumentaram exigindo de Paulo um esforço maior de exposição ao tratar os assuntos. Segundo os estudiosos, a seqüência dos escritos seria: Primeira: Hebreus, se considerada como de Paulo. Segunda: 1Tessalonicenses, escrita no início de 51, em Corinto. Se Hebreus não for de Paulo, esta passaria a ser a primeira. Terceira: Filipenses, para uns foi escrita em Éfeso por volta e 54-56; para outros, foi escrita em Cesaréia por volta de 59-60. Quarta: Filemon, provavelmente da mesma época e lugar de Filipenses. Quinta: Gálatas, provavelmente, também escrita em Éfeso, entre 54 e 55 Sexta: 1Coríntios: também pode ser do mesmo tempo, talvez em 56 Sétima: 2 Coríntios – idem a 1Coríntios. Oitava: Romanos: deve ter sido escrita em Corinto, em torno do ano 56. Nos resta as deuteropaulinas : Efésios, Colossenses, 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo e Tito. A confusão de datas se multiplica: para os que entendem não serem de Paulo, datam essas cartas como sendo do ano 90, juntamente com Efésios e Colossenses. Para os que identificam como de Paulo, afirmam que as cartas 1Timóteo e Tito foram escritas na Macedônia, depois do ano 65. 2Timóteo parece ser o testemunho de quem está para morrer em Roma no ano 67. É desnecessário voltarmos às interrogações formuladas no item 3 (viagens) sobre a autenticidade ou não das cartas deuteropaulinas devido ao fato de continuarem sem respostas. Imagina-se que Paulo tenha escrito outras cartas as quais se perderam. Ele mesmo fala de uma carta em I Coríntios 5,9 que se perdeu e em Colossenses fala de outra carta à comunidade de Laudicéia que também não foi encontrada. Por outro lado, Paulo deve ter fundado outras comunidades das quais não sabemos detalhes e que jamais receberam cartas, talvez devido à sua pouca importância num contexto mais amplo da penetração do cristianismo na Ásia Menor, Europa e Grécia. Entretanto, não passa de suposição. Há um traço típico nas epístolas: à exceção de Romanos, todas as outras foram escritas depois que Paulo as fundou. Pelos relatos, podemos concluir que a seguência seria mais ou menos a seguinte: Paulo visitava uma determinada cidade, fundava a comunidade dando uma catequese básica, uma determinada organização e recomendava-lhe levar adiante, não só na própria cidade mas na periferia ou cidades vizinhas a mensagem de Cristo. Às vezes, como aconteceu com Antioquia da Síria, Antioquia da Pisídia, Tarso, Derbe e Listra para mencionar algumas, retornava para, possivelmente, dar continuidade à evangelização iniciada na visita anterior, em outras ocasiões mandava pessoas de sua confiança para verificarem a situação da comunidade dando continuidade à evangelização de modo a não permitir um retrocesso ou estagnação do cristianismo e, por último, não podendo agir de uma outra dessas maneiras ou devido ao tema a ser abordado, enviava uma carta respondendo aos problemas que se apresentavam. As cartas, portanto, representavam uma segunda ou terceira etapa da evangelização. Há um detalhe significante: as cartas não indicam os detalhes da pregação de Paulo e seus companheiros de evangelização; trazem apenas fragmentos do que foi dito como, por exemplo, em I Cor.15,12 onde o apóstolo escreve: “Ora, se se prega que Jesus ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns de vós que não há ressurreição dos mortos”? Como foi transmitida essa ressurreição? Outro exemplo: em I Tessalonicenses 4,1 – Paulo escreve: “No mais, irmãos, aprendestes de nós como deveis proceder para agradar a Deus – e já o fazeis” para, no versículo seguinte, em 4,2 registrar: “Pois conheceis que preceito vos demos da parte do Senhor Jesus”. Os tessalonicensses deveriam saber do que Paulo estava escrevendo mas nós não temos essa informação. Essa ausência dos detalhes (informação) não deve ser entendida como falta de continuidade na exposição ou uma contradição na obra do apóstolo. Provavelmente, a menção de somente parte do evangelho deve-se ao fato de que Paulo respondia a um problema da comunidade e poderia estar fazendo a combinação de um fato real daquele momento, naquela comunidade, com uma passagem evangélica. As cartas paulinas nos trazem algumas características que podem ser resumidas conforme segue: 1) Elas respondem a um problema concreto que a comunidade está passando naquele momento. 2) Elas não se detêm no campo da vida comunitária. 3) Não trazem o ensinamento básico transmitido, de início, às comunidades, apenas os contornos. Mencionam conceitos ensinados chamando a atenção para as coisas que as comunidades deveriam saber mas que nós não temos os detalhes. 4) Tem como objetivo iluminar a caminhada das comunidades em meio a tensões, conflitos e sofrimentos. Administram conflitos comunitários. 5) São mais pastorais que teológicas apesar de darem estrutura espiritual à doutrina cristã. 6) Procurava sempre animar as comunidades no prosseguimento aos ensinamentos dados. 7) Jesus é presença constante como o ressuscitado, como filho de Deus, como o princípio e o fim, como o cordeiro sacrificado para nossa salvação. 8) Mantém sempre a coerência de pensamento dentro do projeto “Jesus”. Suas argumentações têm por base as Escrituras e os ensinamentos de Cristo. 9) Mostra nas cartas envolvimento com a vida das comunidades mostrando amor, dedicação e carinho para com os convertidos. Resumindo o que nos relata José Bertolin em seu livro “Introdução a Paulo e suas cartas”, às páginas 84 a 104: Um dos maiores desafios ao ler Paulo é deixar que ele seja o que simplesmente é. Em outras palavras, no contexto com seus textos, é preciso ter o cuidado para não submete-lo a certas camisas de força ou aprisioná-lo dentro de preconceitos que levamos conosco ao ler suas cartas. Neste capítulo, portanto, falaremos disso, isto é, da necessidade de libertar Paulo de certos condicionamentos que lhe foram impostos. São muitos, mas aqui basta apontar alguns, como, por exemplo, sua indiferença diante da escravidão, a submissão passiva ao império romano, o dogmatismo, o moralismo e o antifeminismo.

Fonte: Lourenço Quilici Jr.


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